AVIDEZ vs CANSAÇO

Artigos

Antonio Cabral1
Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem
Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia
antonio.cabral@maua.br

I

Início de 2024! Muitos planos foram feitos no final do ano que passou, e parte deles está alicerçada no aprender mais. Os profissionais de embalagem estão ávidos na busca de informações que possam ser transformadas em conhecimento. É hora de agir!

Para modelar a busca pela tão almejada vantagem competitiva – tanto para profissionais quanto para empresas — e, pelos consequentes resultados financeiros, desenvolvi a estratégia mostrada na Figura 1, adaptada de Takeuchi e Nonaka2 e de Tidd, Bessant e Pavitt3

A base desse processo é formada por informações que se tornam, a cada dia, mais abundantes – e ao mesmo tempo, mais carentes de curadoria para distinguir aquelas que realmente se alinham à estratégia pessoal ou da empresa. Essa abundância, um verdadeiro bombardeio informacional, pode gerar insatisfação, pois nunca se sabe tudo o que é preciso saber.

É essencial ter em mente a frase atribuída a Sócrates: “tudo o que sei é que nada sei4”, para evitar que essa avidez pelo conhecimento se torne companheira constante. Se tem um limite claro nessa busca, surge o cansaço, que acaba por interromper o aprendizado.

Não temos capacidade de ler e compreender tudo o que está disponível nesse “mundo da embalagem”. E, embora memória suficiente em nossos HDs – internos e externos -, não temos tempo de vida para acessar todo esse conteúdo.

Por isso, sugiro que o(a) leitor(a) administre sua avidez, evitando perder-se em meio à imensidão de informações, e, no limite, acabar não aprendendo nada a partir do oceano de dados. Gerenciar a avidez é essencial para evitar o cansaço.

Cabe aqui uma crítica: muitas empresas simplesmente deixam de lado projetos e dados antigos, como se fossem descartáveis em um “housekeeping” que, inadvertidamente, destrói a própria história. Com isso, os experimentos acabam sendo repetidos – e, junto com eles, retornam os mesmos erros e acertos.

Inicia-se, em seguida, a etapa de criação do conhecimento, que consiste na análise crítica das informações relevantes e no seu alinhamento à estratégia traçada. Para isso, é necessário dedicar tempo – recurso quase sempre escasso. No entanto, alcançar a vantagem competitiva não é fruto do acaso: é preciso trabalhar muito !

Por sua vez, o conhecimento deve ser transformado em competência, definida como o “saber agir com responsabilidade exigida5”. Para tanto, recomenda-se criar Ambientes BA que preconizam o aprendizado em células em vez da tradicional abordagem linear. Trata-se de uma prática que realmente adiciona valor ao negócio e pode indicar correções de rumo para a empresa. Mais uma vez, surge a demanda por tempo – um recurso cada vez mais escasso e precioso.

Os profissionais competentes e conhecedores da estratégia serão capazes de identificar oportunidades de inovação, conforme definidas no Manual de Oslo ou publicações correlatas, e reconhecer, dentre elas, aquela que, efetivamente representará a vantagem competitiva desejada e os ganhos dela decorrentes.

O que se pretende no Curso de Pós-graduação em Engenharia da Embalagem da Mauá é construir conhecimento a partir de uma base estruturada de informações quanto as competências alinhadas à estratégia que desenharam. Cada participante, a seu tempo, transformará esse processo em inovações e vantagem competitiva capaz de gerar recursos e assegurar o sucesso.

É necessário, contudo, controlar a excessiva avidez, a fim de evitar cansaço, stress, burnout e outros fatores de desestímulo tão frequentes nesse percurso.


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Publicado na embanews, edição de Janeiro de 2024

  1. Diretor da Pack&Strat – Engenharia e Estratégia de Embalagem , Ltda – www.packstrat.com.br ↩︎
  2. TAKEUCHI, H. NONAKA,I. Gestão de conhecimento. Tradução Ana Thorelli. Porto Alegre: Bookman, 2008.320p. ↩︎
  3. TIDD, J.; BESSANT, J.; PAVITT, K. Managing innovation. West Sussex: John Willey & Sons, 1997. 375p. ↩︎
  4. https://www.pensador.com/ODEIMjk3/ último acesso em 20 de outubro de 2025 ↩︎
  5. FLEURY, A; FLEURY, M.T.L., Estratégias empresariais e formação d competências. São Paulo: Atlas, 2000. 169p. ↩︎