Antonio Cabral1
Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem
Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia
antonio.cabral@maua.br
Há algum tempo, numa das conversas com o nosso querido Professor Gabriel Lopes, o tema “Mapeamento de Experiências: um guia para criar valor por meio de jornadas, blueprints e diagramas” veio à baila.
Ele me apresentou solenemente o livro com esse título2, escrito por Jim Kalbach.
É uma leitura instigante e com riquíssimo visual. Identifiquei um sem-número de aplicações no Sistema Embalagem e pretendo, neste texto, compartilhar duas delas com os leitores.
A primeira é “alinhar para ter valor”.
Para o autor, “o problema fundamental é o alinhamento: as organizações não têm sincronia com o que as pessoas atendidas realmente experimentam”. Aplicar os princípios do alinhamento, além de quebrar os silos (leia-se estrutura congelada de cada departamento), identifica oportunidades e permite a criação de uma visão comum duradoura, que deve ser reafirmada em frequentes workshops e eventos de conscientização.
No Sistema Embalagem (SE), considero essa recomendação do autor como um chamado a todos os componentes (leia-se departamentos) para que trabalhem alinhados à estratégia da empresa, que, em última análise, consiste em atender aos anseios do consumidor. É essencial evitar que “a eficiência operacional seja priorizada acima da satisfação do cliente”.
Confesso que já me expressei dessa forma em palestras e aulas, quando quero citar a exagerada atenção, nem sempre correta, que se da ao OEE (Overall Equipment Effectiviness) especialmente quando os profissionais se digladiam para atribuir o motivo da parada a esse ou àquele departamento, quando o fato importante é a parada e os prejuízos que acarreta.
A segunda é “organizar a estrutura interna para inovar e reimaginar a entrega de valor” aos consumidores.
Portanto, todos que atuam no SE precisam ter muito claro o conceito de valor. Um bom ponto de partida é seguir o roteiro de Martins e Laugeni3 para classificar cada atividade como:
- AV (adicionam valor e precisam ser priorizadas), ou
- NAV (não adicionam valor e podem ser descontinuadas).
Não se pode deixar de lado a necessidade de estimular a criatividade e desenvolver o espírito inovador.
A tarefa não é fácil, reconheço.
No entanto, cumpri-la é contribuir de forma decisiva para a longevidade das organizações e, consequentemente, do SE.
Além dessas aplicações, vale citar duas recomendações de Kalbach:
• Entrevistar pessoas constantemente no ambiente interno (colaboradores) e externo (fornecedores, prestadores de serviço, consumidores/clientes) para mapear suas experiências, aprender com elas e identificar oportunidades de adição de valor aos produtos e serviços ofertados.
• Usar gráficos e esquemas coloridos para organizar mapas do estado atual e do estado futuro.
Nesse ponto, recorro também a Goldratt4 para desenhar a Árvore de Realidade Atual (ARA) e a Árvore da Realidade Futura (ARF).
Em síntese, o livro abre espaço para que os Packaholics adotem, em seu cotidiano, instrumentos gráficos para mapear suas experiências e as dos demais profissionais, facilitando o alinhamento das atividades que exercem aos anseios dos seus consumidores — clientes externos e internos.
É, portanto, um guia para adicionar ainda mais valor a todas elas e tornar as empresas mais competitivas.
Recomendo a leitura e a utilização !
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Publicado na embanews na edição de fevereiro de 2022
- Diretor da Pack&Strat – Engenharia e Estratégia de Embalagem, Ltda – www.pckstrat.com.br ↩︎
- KALBACH, J Mapeamento de Experiências: um guia para criar valor por meio de jornadas, blueprints e diagramas. Traduzido por Eveline Vieira Machado – Rio de Janeiro; Alta Books, 2017 ↩︎
- MARTINS, Petrônio G., LAUGENI, Fernando Piero. administração de Produção. São Paulo, Saraiva 2006 ↩︎
- GOLDRATT, E. M. What is this thing called theory of constraints and how should it be implemented? EUA: nORTH rIVER pRESS. 1990 ↩︎