Antonio Cabral1
Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem
Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia
antonio.cabral@maua.br
Figura 1 – Proposta de uso estratégico de ferramentas para redução de impactos ambientais

O exacerbado impacto que tem sido causado ao meio ambiente nos últimos tempos é um fato que preocupa boa parte da população. Os seres humanos percebem alterações climáticas que se materializam, por exemplo, em degelo na Antártica e consequente aumento da vegetação em áreas que eram inóspitas. Em notícia publicada na edição de 4 de outubro de 2024 no portal O Globo, pode-se ler: “A área coberta por vegetação no continente gelado passou de menos de um quilômetro quadrado em 1986 para quase 12 quilômetros quadrados em 2021. A região, como outras áreas polares, está aquecendo mais rapidamente que a média global2”.
Alerta mais enfático foi dado pelo climatologista Carlos Nobre em entrevista publicada no Estadão, em 11 de setembro de 20243: “Estou apavorado. Ninguém previa isso, é muito rápido”. Ao se referir às altas temperaturas, o cientista afirma: “Esse é o máximo que já experimentamos. A crise explodiu. Temos a maior temperatura que o planeta experimentou em 100 mil anos”. Ele também afirmou, em outra entrevista4: “O Pantanal acabará e metade da Amazônia será devastada até 2070 nesse ritmo de desmatamento”.
O leitor pode pensar que 2070 (daqui a 46 anos) está muito longe e que há tempo para se tomarem medidas no médio e longo prazo. Cabe, neste ponto, uma reflexão. Desde os anos do pós-guerra, iniciamos um “fantástico” programa de incentivo ao consumo como se os recursos fossem infinitos. Foram quase 80 anos destruindo. O filme The Rise of Lowsumerism5, legendado, que não canso de recomendar, ilustra como que os seres humanos (e aqueles que parecem pouco humanos) começaram a consumir ininterruptamente “recursos terráqueos” após a segunda guerra e não pararam mais. Ora, numa matemática simples, ao se tornar como verdadeira a frase de Winston Churchill6 – “Construir pode se a tarefa lenta de difícil de anos. Destruir pode ser o ato impulsivo de um único dia” – e se for considerado o prazo limite de 2070 citado acima, tem-se que dificilmente os seres humanos reconstruirão em 46 anos o que foi destruído em quase 80. Recorro pela última vez a uma fala de Carlos Nobre para ilustrar essa preocupação: “A doença da Terra é a humanidade7”.
Esse cenário não pode, de forma alguma, desincentivar ninguém. Ao contrário, é um oceano de oportunidades que deve ser explorado rapidamente. Por exemplo, em 2013, a dissertação de mestrado de Vivian Borges8 propôs uma estratégia industrial para o desenvolvimento sustentável, esquematizada na Figura 1. É essencial observar que tudo deve começar com a educação ambiental — fundamental. Em seguida, adotam-se as Boas Práticas de Fabricação e Controle (leia-se também redução de perdas e desperdícios) para depois utilizar ferramentas mais complexas.
Por falar em educação ambiental, nesse momento crítico em que novos hábitos precisam ser desenvolvidos, algumas empresas se destacam por suas iniciativas focadas no desenvolvimento desse “saber” do Capital Humano, sem deixr de lado os tradicionais projetos de inovação, como aumento do uso de PCR e de OIR, o incentivo ao uso de embalagens retornáveis e recicladas, entre numerosos outros.
Destaque-se nesse sentido aquele Projeto Sustentabilidade criado e em desenvolvimento pela empresa Rhotopás9. A convite do CEO (Sr. Carlos Eduardo de Oliveira Motta) e da gestora do projeto (Engª Alexandra Schramm) tive a oportunidade de acompanhar as etapas de geração de ideias, os cuidados para identificar aquelas que deveriam ser priorizadas utilizando matriz de decisão adequada, e a opção sensata e estratégica de iniciar um processo de educação ambiental.
É importante ressaltar como esse cuidado em desenvolver a responsabilidade ambiental nos funcionários deixa claras, para todos eles, as oportunidades de colaborar, ainda que possa parecer muito pouco, na recuperação do ambiente em que vivem e em que trabalham, numa espécie de corrente do bem10.
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Publicado na embanews, edição de outubro de 20244
- Diretor da Pack&Strat – Engenharia e Estratégia de Embalagem, Ltda – www.packstrat.com.br, ↩︎
- https://link.dev/l, acesso em 07 de outubro de 2024 ↩︎
- https://encr.pw/j4zCs, acesso em 07 de outubro de 2024 ↩︎
- https://encr.pw/YKHYy , acesso em 07 de outubro de 2024 ↩︎
- https://youtube.cpm/watch?v=jk5gLBlhJtA, acesso em 07 de outubro de 2024 ↩︎
- https://pensador.com/frase/OTU4MTI4, acesso em 07 de outubro de 2024 ↩︎
- https://encr.pw/Rypo2, acesso em 07 de outubro de 2024 ↩︎
- BORGES, V. Estratégia de implantação da produção mais limpa em indústria cosmética terceirista de pequeno porte. Dissertação de Mestrado. Orientador: A.Cabral, Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia, São Caetano do Sul, 2013 ↩︎
- https://rhotoplas.com.br ↩︎
- https://google.combr/search?q=corrente-do-bem ↩︎