PARADOXO DOS PLÁSTICOS

Artigos

Antonio Cabral1
Coordenador dos Cursos de Pós Graduação em
Engenharia de Embalagem
Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia
antonio.cabral@maua.br

Participei do 3º Fórum de Economia Circular, realizado na cidade de Joinville nos dias 14 e 15 de agosto de 2024, organizado pela Revista Plastisul, Sindiplas/RS, Rede pela Circularidade do Plástico e Conceitual Brasil — Jornalismo Total. Excelentes apresentações e discussões foram a tônica dos dois dias focados no tema.

O ponto a destacar, objeto deste texto, é o livro “O Paradoxo dos Plásticos”, versão impressa distribuída aos participantes, e versão digital disponível em: https://encr.pw/OXbyz.

Escrito por Chris DeArmitt, especialista em plásticos e presidente da norte-americana Phantom Plastics, e traduzido por Sibele Piedade Cestari, o livro é um convite à reflexão, pois contribui para explicar a importância dos plásticos na vida humana. Ao final de cada capítulo, em tom provocador (no bom sentido), apresenta o que chama de “mentira” e a “verdade” correspondente.

O parágrafo a seguir, transcrito do Prefácio, explica o título do livro:

“Dizem que os plásticos são nossos heróis e nossos vilões. Esse é o ‘Paradoxo dos Plásticos’. Como podem eles ser nossos amigos e inimigos ao mesmo tempo? Como saber se devemos estimar ou combater seu uso? Para descobrir a resposta, precisamos mostrar as evidências a você, ao júri, ao público em geral. Somente então poderemos tomar uma decisão baseada em informação.”

O autor apresenta o significado de “sustentável” e alicerça todas as afirmativas em estudos de ACV (Avaliação do Ciclo de Vida), realizados em diversos países e disponíveis na literatura técnica. Apresenta excelentes comparações entre sacolas reutilizáveis e descartáveis fabricadas a partir de resinas plásticas e com outros materiais. Na página 50 da edição impressa (46 da eletrônica), uma frase salta aos olhos:

“…embalagens plásticas levam a enormes reduções de emissões de CO₂ porque ajudam os alimentos a permanecerem mais frescos por mais tempo.”

O lixo é o tema que se segue, com a abordagem do perfil da composição nos Estados Unidos, destacando o primeiro lugar ocupado pelos materiais celulósicos. No Brasil, dada a existência de catadores ávidos por esses materiais, essa classificação é diferente. Além disso, o país carece de campanhas semelhantes à da “Tampinha Legal” para valorizar outros RSU.

O autor recomenda o Design para a Reciclagem, que se baseia em projetar produtos mais duráveis, fabricados com plásticos também mais duráveis. Ele traz a figura do item “uso zero”, que, adaptada às condições brasileiras — notadamente São Paulo — lembra os folhetos com propaganda entregues em semáforos e descartados quase que imediatamente.

“Poluição – Fontes e Soluções” é o título do Capítulo 3, que reforça a responsabilidade dos seres humanos e sugere seguir exemplos de países europeus que cobram pequenas taxas, restituídas no momento da devolução das embalagens.

Analisa criticamente as chamadas “ilhas de plásticos” nos oceanos e traz uma afirmativa que tenho repetido ao longo dos últimos anos:

“O lixo não está magicamente indo para as praias, e sim sendo jogado propositalmente nos oceanos pelos humanos.”

O autor cita a abordagem multifacetada para mitigar o problema, composta de quatro ações:

  1. Prevenção da geração
  2. Mitigação (incluindo o Design para a Reciclagem)
  3. Educação
  4. Ações governamentais efetivas

Cita a análise realizada por Boucher, J. e Friot, D.B2 (2017) sobre a origem dos microplásticos e destaca como principal fonte (35%) a lavagem de tecidos sintéticos, com os grânulos plásticos representando uma porcentagem mínima.

Ao visitar o tema da degradação de plásticos, faz uma excelente e didática revisão, exemplifica a ação de estabilizantes e traz informações sobre a não deterioração em aterros sanitários, uma vez que não há oxigênio suficiente para alimentar as principais reações.

Faz uma provocadora abordagem sobre corrupção, distração e ganância no Capítulo 6, antes de apresentar suas Conclusões, Perspectivas e o Caminho a Seguir.

Concorde-se ou não com os fatos nele expostos, não se pode deixar de compreender que são citações de publicações validadas por revisão por pares.

Uma frase (pág. 176 da edição impressa e pág. 172 da edição eletrônica) soa como música aos meus ouvidos, pois acredito ser desperdício de energia simplesmente dispor esses materiais em um aterro sanitário:

“Se você usa, por exemplo, PE e PP, você pode reciclá-los e reutilizá-los muitas vezes, e quando finalmente tiver que queimá-los, você recuperará toda a energia contida neles.”

Sugiro a leitura crítica e discussões entre profissionais de embalagem. É a maneira ideal de todos reforçarem (ou não) seus conceitos sobre tema tão intrigante e controverso.

Publicado na revista EMBANEWS em setembro de 2021


Referências citadas:

  • Williams, A.T. e Rangel-Buitrago, Nelson. Journal of Coastal Research, 35(3): 648–661 (2019)

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  1. Diretor da Pack&Strat – Engenharia e Estratégia de Embalagem. Ltda – www.packstrat.com.br ↩︎
  2. Boucher, J. e Friot, D. (2017). Primary Microplastics in the Oceans: A Global Evaluation of Sources. Gland, Switzerland: IUCN. 43pp. ↩︎