Antonio Cabral1
Coordenador dos Cursos de Pós Graduação em Engenharia de Embalagem
Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia (CEUN/IMT)
antonio.cabral@maua.br

O “Convite Veemente”, título deste texto, não deve ser entendido como uma convocação para alguma atividade obrigatória ou de uma intenção de forçar alguém a agir de uma ou outra maneira. Trata-se, na verdade, de um chamado amplo dirigido a que todos aqueles que atuam no setor de embalagem aproveitem a oportunidade única que é oferecida aos profissionais e empresas do País.
Nos relatórios elaborados por organizações que estudam o tema (Fórum Econômico Mundial2 e International Institute for Management Development3, entre outros), os indicadores de competitividade publicados mostram o Brasil em posição delicada. Ao mesmo tempo, esses documentos, de forma gratuita, apresentam um verdadeiro road map fortalecer os pontos fortes, desenvolver as competências essenciais (ver Figura 1) e corrigir aqueles considerados críticos.
Isso é excelente — e é fundamental que os fabricantes e usuários de embalagem sejam “veementemente convidados” a aproveitar esse verdadeiro “presente”!
Para começar, ouso sugerir algumas ações na formação de competências:
• Fortalecer a formação interna de profissionais, motivando-os de diversas maneiras – inclusive pecuniárias – a colaborar no enfrentamento das dificuldades do cotidiano empresarial, cada vez mais competitivo e turbulento. Isso pode ser realizado por meio de eventos internos, como palestras técnicas ou pequenos cursos ministrados por fornecedores, consumidores, clientes, professores ou instituições de ensino. Formar talentos é essencial. Temer a possibilidade de perdê-los para a concorrência e optar pela “não ação” é mergulhar na mesmice que beira a mediocridade.
• Contribuir para reduzir a alta taxa de evasão de estudantes, frequentemente motivada pela dificuldade de compatibilizar estudo e trabalho. Para isso, podem ser oferecidos programas de estágio, bolsas para funcionários, horários especiais ou outras formas de incentivo. Enquanto eu atuava como Coordenador do Curso de Engenharia de Produção da Mauá, ouvi de muitos alunos relatos de “intransigências empresariais” que os forçaram a desistir do estágio.
• Participar ativamente da reformulação do ensino médio, a fim de reestruturar a formação de profissionais que possam ser rapidamente absorvidos pelas organizações. Ainda guardo viva na memória a excelente escola técnica em que estudei – atualmente denominada Escola Técnica Estadual Conselheiro Antônio Prado4 -, de tempo integral, com apoio a estágios de férias em empresas da região, alta empregabilidade e, sobretudo, fortíssima preparação para o vestibular.
No que se refere às interações nas cadeias produtivas, outro convite:
• Assumir a governança pelo profundo conhecimento dos bens que fabrica — o que exige muito estudo das propriedades e do desempenho – – leia-se também jornada do produto e da embalagem, desde o momento em que são projetados até o seu descarte ou reprocessamento. É preciso ter em mente que a natureza não tem lixeira5! O principal benefício dessa postura é evitar tanto o superdimensionamento (e consequente desperdício) das embalagens quanto o seu subdimensionamento (que pode resultar perda do produto e da própria embalagem).
. Assumir a governança pelo profundo conhecimento dos bens que fabrica o que existe muito estudo das propriedades e desempenho (leia-se também Jornada) do produto e da embalagem desde o momento em que são projetados até o seu descarte ou reprocessamento, tendo em mente natureza não tem lixeira6!
Para Francis Bacon7, “o conhecimento é poder”,
pois não há poder sobre a terra que instale um trono ou uma cadeira de Estado nos espíritos e almas dos homens, em suas cogitações, imaginações, opiniões e crenças, se não o do conhecimento e do saber.
Portanto, parafraseando D. João VI8, “põe a coroa (o saber) sobre a tua cabeça, antes que algum aventureiro lance mão dela”.
Finalmente, para descontrair, proponho:
• Melhorar a utilização do tempo, organizando a mente9 de forma sistemática ou, simplesmente, desacelerando10 para encontrar a necessária lucidez extrema nos momentos de turbulência exacerbada. É preciso se permitir “sair da toca”, “pensar fora da caixa” ou ainda “abrir espaço para a miscigenação de olhares e ideias”, que certamente trarão reflexos positivos na competitividade.
Em resumo, reitero o convite veemente para formar competências e assumir a governança da cadeia produtiva pelo conhecimento — sem deixar de desacelerar nos momentos adequados.
A competitividade agradece!
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Publicado pela revista EMBANEWS em junho de 2023
- Diretor da Pak&Strat – Engenharia e Estratégia de Embalagem Ltda – www.packstrat.com.br ↩︎
- World Economic Forum — https://www.weforum.org ↩︎
- https://www.imd.org/centers/wcc/world-competitiveness-ranking/ ↩︎
- https://etecap.com.br ↩︎
- Três Idéias sobre Ecomodernismo – Luc Ferry – Fronteiras do Pensamento – https://www.fronteiras.com ↩︎
- Três idéias sobre Ecomodernismo – Luc Ferry – Fronteiras do Pensamento – https://www.fronteiras.com ↩︎
- Bacon, F. O progresso do conhecimeto; tradução,apresentação e notas Raul Fiker.-São Paulo: Editora UNSP, 2007 ↩︎
- https://quemdisse.com.br//frase/poe-a-coroa-sobre-a-tua-cabeca-antes-que-algum-aventureiro-lance-mão-dela/98581/ acesso em 28 de maio de 2023 ↩︎
- LEVITIN, D.J. A mente orgabizada: como pensar com clareza na era da sobrecarga de informação / tradução Roberto Grey. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015 ↩︎
- https://www.desacelerasp.com.br/ ↩︎