JOVIALIDADE E COMPETITIVIDADE NO SISTEMA EMBALAGEM

Artigos

Antonio Cabral1
Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem
Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia
antonio.cabral@maua.br

Estamos chegando no final de um dos anos mais difíceis dos últimos tempos. Ao ler notícias sobre alguns conflitos internacionais (Ucrânia vs. Rússia, Azerbaijão vs. Nagorno-Karabakh, Israel vs. Hamas, entre outros), sobre a insegurança alimentar e sobre violência urbana ou conflitos nacionais (São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia), vou buscar, num dos recantos da mente, a esperança sempre otimista que dias melhores virão. A esperança tem um quê de juventude e isso me motivou a escrever este texto.

Na busca de referências, encontrei a Crônica de Artur da Tavola2, do qual reproduzo um trecho que considero sensacional:

Ser jovem é misturar tudo isso com a idade que tenha, trinta, quarenta, cinquenta, sessenta, setenta ou dezenove. É sempre abrir a porta com emoção. É esperar dos outros o que ainda não desistiu de querer. Ser jovem é viver em estado de fundo musical de superprodução da Metro. É abraçar esquinas, mundos, espaços, luzes, flores, livros, discos, cachorros e a menininha com um profundo, aberto e incomensurável abraço feito de festa, cocada preta, dentes brancos e dedos tímidos, todos prontos para os desencontros da vida. Com uma profunda e permanente vontade de SER.

Os jovens parecem imunes a todos os fatos desagradáveis do cotidiano. Os espíritos jovens, independentemente da idade, escapam da cronologia tradicional. Reinventam-se3!

Abordei o passar do tempo na Edição 346 da EMBANEWS, em janeiro de 2019, com o artigo intitulado Estamos envelhecendo e daí? A conclusão daquele texto foi: se, ao longo do tempo, pudermos usar toda a nossa capacidade de pensar de forma sistêmica para entender que a embalagem não é só um material ou uma forma diferenciada, mas sim uma notável experiência a ser vivida, e que existem infinitas possibilidades de adicionar valor a ela, estaremos aptos a dizer: estamos envelhecendo… E daí?

Continuo pensando da mesma forma e repetindo a mesma pergunta: e daí? É verdade que muitas portas se fecham com o tempo (nem penso em etarismo), mas, no meio em que vivo, é muito (mas muito) comum observar jovens de espírito, com disposição e “cabeça” para criar e se reinventar, enquanto idosos de 30 ou 40 anos (isso mesmo, idosos com essa idade) lamentam falta de oportunidade. Talvez seja carência de orientação. Ou pode ser falta de visão de mundo. Não cabe a mim, neste espaço, abordar isso.

Quero ressaltar a necessidade de ter a mente jovem para trabalhar no Sistema Embalagem, reinventá-lo, questionar os dogmas e os seus seguidores, aprofundar-se nos conceitos clássicos para compreendê-los e evitar reinventar a roda, aprender e ensinar de forma ininterrupta, compartilhar o que sabe de forma altruísta, enfim, agir sem parar buscando tornar o Sistema cada vez mais competitivo. Existem muitas (muitas, repito) oportunidades a explorar. Há muito o que fazer!

Não é nada inteligente ser pessimista e adotar a frase da hiena Hardy Har Har (“Oh céus, oh vida, oh azar – Sou vítima das circunstâncias4”) dos desenhos animados como ídolo.

Ao contrário, aproveitemos o otimismo das mentes jovens para nos reinventarmos continuamente! Competitividade é isso!

___________________________________________________________________________

Publicado na embanews, edição de novembro de 2023

  1. Diretor da Pack&Strat – Engenharia e Estratégia de Embalagem, Ltda – www.packstrat.com.bt ↩︎
  2. TÁVOLA, A. https://l1nq.com/HMCJv último acesso em 11 de novembro de 2023 ↩︎
  3. https://encr.pw/zgzap ↩︎
  4. https://encr.pw/9sfJd último acesso em 11 de novembro de 2023 ↩︎