Antonio Cabral1
Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem
Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia
antonio.cabral@maua.br
Trem Bala2
…Também não é só correr contra o tempo para ter sempre mais.
Porque quando menos se espera a vida já ficou para trás…
Segure teu filho no colo.
Sorria e abrace os teus pais enquanto estão aqui.
Que a vida é trem-bala, parceiro,
E a gente é só passageiro prestes a partir…
Vive-se um tempo em que muito se aprecia a “gestão ágil” de tudo. Existem muitos livros e artigos disponíveis em livrarias (virtuais ou presenciais) e escolher um deles para começar a estudar o tema não é uma tarefa fácil. Talvez seja necessário desenvolver uma metodologia ágil para adquirir uma publicação sobre metodologia ágil.
Uma das importantes lições que aprendi sobre o tema é “errar e aprender rápido em busca da vantagem competitiva”. Pode ser por esse motivo que muitas empresas apliquem sem pestanejar essa ferramenta em várias de suas atividades, inclusive no Sistema Embalagem. Todavia, aprender com o erro não é uma tarefa fácil!
Mas, afinal, por que tanta afobação? O que foi aprendido durante a vigência dessa pressa? Queremos viver o hoje como se não existisse o amanhã? Tenho feito quase que cotidianamente essas perguntas a mim mesmo e àqueles com quem convivo. As respostas variam no formato, mas seguem o mesmo diapasão: “o tempo está passando muito rapidamente (está mesmo?), aprendi muito pouco e acabo de me dar conta de que acabou o mês”.
Aparentemente, não somos bons gestores do uso das 24 horas dos nossos dias, e, talvez por isso, existem diversos profissionais fazendo palestras e orientando pessoas a esse respeito. Afinal, as pessoas buscam a gestão ágil porque delas é exigida cada vez mais rapidez ou simplesmente porque têm pressa? O que foi aprendido?
A rapidez não é um soft skill, como afirma a professora Lucedile Antunes3, especialista no tema, que lista uma série deles em seus livros. Portanto, imagino que, se não é exigida, pode ser que todos estejam acometidos da Síndrome da Pressa4,5, assunto de várias publicações. Será que ela (a Síndrome) nos leva a viver intensamente porque temos muito medo de, num sobressalto, morrer?
Em meio a esses questionamentos (e provocações), lembrei da canção Trem Bala, composta e cantada pela Ana Vilela, da qual alguns versos são citados no início deste texto. Um deles pode conduzir o leitor a compreender essa “pressa”. Será mesmo que “a vida é trem-bala… prestes a partir”? Será esse o motivo pelo qual, em vários ambientes industriais e comerciais, se tem vivido mais o “correr contra o tempo para ter sempre mais” e menos o “sorria e abrace os teus pais enquanto estão aqui”? Não creio que essa pressa seja uma espécie de “bovinização6”.
O sentimento é que estamos todos acelerados e não encontramos espaço na nossa mente para pensar antes de agir e, consequentemente, aprender. É preciso buscar o conhecimento profundo de produtos, embalagens, cadeias produtivas para desenvolver competências e conseguir a vantagem competitiva que, essa sim, se transforma em ganhos.
Educação continuada, sem a “síndrome da pressa”, é o meio pelo qual os profissionais, com esforço, aprendem e se mantêm atualizados e competitivos no mercado de talentos. É muito difícil substituí-los!
Vamos aprender muito, na nossa velocidade de cruzeiro?
Como sempre digo: mãos à obra!
__________________________________________________________________________________________________
Publicado na revista EMBANEWS em maio de 2024
- Diretor da Pack&Strat – Engenharia e Estratégia de Embalagem, Ltda – www.packstrat.com.br ↩︎
- https://encr.pw/hTwCx – último acesso em 20 de maio de 2024 ↩︎
- https://acesse.dev/cQL8A – último acesso em 28 de maio de 2024 ↩︎
- https://encr.pw/WcqpA – último acesso em 28 de maio de 2024 ↩︎
- https://linq.com/COug2 – último acesso em 29 de maio de 2024 ↩︎
- https://vimeo.com/105515361 – ultimo acesso em 29 de maio de 2024 ↩︎